Morro aos poucos a cada dia, também não podia ser diferente... Estou agora distante de tudo e de todos, tanto no espaço físico quanto em pensamentos, me sentindo um Senhor no meio do nada... Desfaço-me em pedaços, que a esmo, caem ao chão. Olho pra eles e não tenho ânimo de pegá-los de volta e colocá-los no lugar... E cada um, ao seu jeito, se acomoda quais folhas secas que caem no fim do outono... Só que as folhas viram adubo pra primavera... Enquanto eu? Não sei...
Já por extinto, sento-me à cadeira e ao som de Enya, olho pela minha velha janela que já deixou de ser totalmente transparente pelo pó acumulado que cobre o vidro... Qualquer semelhança é pura coincidência... Mesmo assim, através dela ainda consigo ver a paisagem que me oferece, linda em outras épocas, hoje sem graça alguma. Nem a nuvens que vem do mar formando rascunhos de nossa imaginação e que habitualmente se aproximam ao sul trazendo, se não a chuva,pelo menos uma brisa pra refrescar, se atrevera a dar o ar de sua graça. Queria tanto que elas voltassem trazendo notícias de mim, num sopro de vento, um sonho... Quem sabe? Uma esperança... Uma realização...
Sei que estou cansado e quero dormir um tanto. Amanhã um novo dia há de nascer, ao menos o sol estará diferente... Numa nova posição...
À distância me faz morrer aos poucos, mas a quem interessa?...O que importa?... E quem se importa?...
Nuno
26/Julho / 2006.
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