quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Voltando pra casa...

- A conta, por favor!


Peguei a estrada...
Assim, só pra pensar na vida...
E sabe o que a ingrata me mostrou?
Que não se perde aquilo que nunca se teve...
Então me lembrei do que li outro dia em algum lugar...

¨ Se a vida te der um limão, faça uma limonada... ¨

Voltando pra casa...

Agora somos eu e ela... Eu e minha consciência mal pesada.

Ligo o rádio do carro, e Gal se intrometendo em meu momento querendo participar da festa, Socorro! Não estou sentindo nada... , isso acaba comigo, golpe de misericórdia que acaba de me matar, tudo dói, sangra até secar... Envolto em dores sem nomes, a cabeça dói, os farois dos carros doem, as buzinas doem, o coração dói... E como dói essa sangria quando começo a contar os pingos que mancham minhas roupas...
Já é madrugada e no silencio de um novo dia que se anuncia, o pensamento cruza o horizonte buscando nas asas da serenidade, um pouso para o meu olhar.
Fico a espera de acordar e ver onde estou, se a caminho do inferno, ou
às portas do céu... Mas ninguém me abre a porta, seja lá do que é feito o castelo, ninguém me deixa entrar... Visita anunciada e cancelada às pressas por um anjo da guarda desavisado.
E a estrada, que não terminava nunca, de repente se acaba num beco escuro. Porta de casa. Ufa..! Pensei que não chegaria... Mas enfim me trouxeram... E alguém me abre a porta. – Não empurra não pô..! Entro enfim deixando a luz às minhas costas até ver a porta ser fechada novamente... Preciso me lembrar de não esquecer de comprar uma lâmpada...E um pedaço de barbante...
Sentado no sofá do canto, procuro um lugar pra pôr os pés na mesa de centro, cheia de quinquilharias e um vaso de violetas murchas, tento trazer minha cabeça de volta já refeita da Fanta que me desceu mal e do gelo que me subiu à cabeça fazendo-a voar.
Penso em escrever algo pra me distrair, mas minha cabeça, já de volta em seu lugar com alguns por cento de lucidez, me diz pra esperar pra ver se o sol aparecia mesmo... Ouvi falar que nasce todos os dias... Não sei..!
Só sei que não sei mais o que fazer quando a noite não termina.
Quando a gente quer acordar do sono que não se consegue ter e o pesadelo nos segura pelos cabelos e nos mantém imersos no medo. Falta ar, falta chão, faltam portas de saída. Todas só abrem por fora e ninguém responde. Anoiteci há muito e há muito a noite anda alta e as estrelas parecem não sairem do lugar. E assim vou virando substrato do meu próprio pesadelo e esperando que a felicidade esteja logo ali, virando a próxima esquina atrás da primeira duna, então vem outra esquina e mais outra e depois de se virar a última, se avista outra duna com a primeira esquina a ser dobrada... Como um cachorro que late correndo atrás dos pneus de carros no final da tarde, o carro vai e os pneus vão com eles, o cachorro não morde pneu nenhum e fica a espera do próximo carro que passar...
Vai ver que algum roqueiro maluco, pediu pra parar o mundo e que não se sabe por que, ainda não desceu... Ou então foi fechado pra manutenção com o conta- giros quebrado. Parece que só o que gira mesmo é minha cabeça quando tomo Fanta. Mas só de sacanagem, vou ficar onde estou pra esperar meu dia passar por aqui... Um pneu velho também serve, desde que não tenha cheiro de urina de algum amigo meu da rua de cima.

.... Mesmo porque, nada é para sempre e sempre não são todos os dias... E os dias não são noites, menos ainda, noite todos os dias...


"Até que não me importaria de ficar no escuro, desde que eu estivesse com a mão no interruptor..."


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