Num canto da sala
Uma flor solitária
No outro descansa
Um vaso quebrado
Que guardo de lembrança.
No teto uma luz,
Que aponta e alumia...
E sentado no chão
Agarrando as pernas com as mãos,
Seguro minha guia.
Com a chuva lá fora
Não me aquieto, fico atento.
Pois a água me excita
Arrepio-me com o vento
Enche-me de vida
E me queima por dentro.
A água que cai
Corre ao meio fio
E encharcam-me os pés
E eu embaixo da árvore
Já morrendo de frio.
No fim da rua
Numa casa pequena,
Uma linda morena
Fugindo da chuva
Convida-me a entrar.
Seu corpo molhado
Com o vestido grudado
Em seu corpo esculpido
Pelas mãos de um artista
Num dia inspirado.
Percebo os devaneios
E levanto assustado...
E vejo num canto da sala
Uma flor solitária
Num vaso quebrado
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