Não sei se já aconteceu ou está pra acontecer...
No lugar marcado, sentar-me num banco, balançar uma das pernas, deixando a ansiedade à vista de todos. Virar o pulso pra olhar as horas num relógio que nunca usei.
Vou te olhar nos olhos, ver teu sorriso pra mim e por mim, e se calhar, roubar-te beijo.
Encostar-te a um canto, entregar-me ao encanto, e te fazer perguntas sem esperar respostas. Talvez tua boca esteja ocupada pra tal.
Na ausência de todos, desabotoar teu pudor aos poucos, e sentir apenas a explosão interior de liberdade fazendo-se presente, desafiando medos de criança, enrijecendo músculos e rangendo dentes. Perceber a incrível distância entre a ilusão e o fato, vencida num único gesto. Ter a liberdade de estarmos com os corpos nus entre as folhagens e o vento, que no seio da noite, bailam alucinadamente com gestos sem rima, com voz sem palavras, sem nenhuma conseqüência e a invadir pensamentos.
Deitar-te na relva, modelar teu corpo com carícias ousadas de mãos atrevidas de um menino matreiro, pegar uma amora silvestre que cresce ao lado e a faço um objeto de prazer levando-te a boca e desenhar em teus lábios... E contornar teu corpo mais uma vez... E mais uma vez, dou-me a provar do teu líquido com o fruto a se misturar aos teus gozos... Sentir o orvalho umedecer nossos corpos já úmidos pelo ar condensado do calor que se evadem de nossos poros.
A lua cheia tenta nos espreitar entre as árvores, mas apenas se vêem nuanças em flashes em teu rosto, provocados pela dança dos galhos entregues a sedução e a mercê dos ventos. E novamente, revelo-me em palavras, como o fiz tantas outras vezes, com a picardia de sussurros ardidos, a te falar de desejos e vontades... Sentimentos e verdades... Pés que se tocam com pernas entrelaçadas e encaixadas em vãos, acompanham os movimentos de corpos sedentos... Ventosas que grudam sem separação. Pelos que se abraçam e que roçam e que se torcem e se separam, e se soltam de nossos corpos para neles ficarem novamente grudados.
Quero provar dos fluidos que saem e se misturam com líquidos de prazer e sedução que invadem cada um de nós, como um alquimista que olha seu feito de um momento mágico de uma mistura de odores e sabores num ritual místico. Suspiros e gemidos em olhares e desejos que se cruzam, e se misturam com lábios lambidos de línguas mordidas e provadas como de um favo de mel. Assim quero-te esta noite, deitada em nuvens, a luz da lua e ao som dos anjos...
E com os pensamentos jogados ao vento me entregar aos encantos... De um beijo roubado...
(eros)
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