Lá estava ela parada, mal respiravaDe repente um abrir de olhos rápidos
Para dizer à vida, que ali ainda estava
E que ali continuaria
Respira, respira
Teimosia de não ir da onde também não se quer ficar
Para! Olha de novo à sua volta ...
E bem rapidamente descansa, para não se deixar levar
Sem dizer nada, me aproximo
E ela sem poder se aproximar, imóvel, apenas me olha
Me olha e não me diz nada, até por que não há nada que se dizer que já não se saiba
Eu, ali parada só posso imaginar o quanto você viveu e o quanto ainda teima em viver,
Pois mesmo assim, você desesperadamente acredita que isso que te resta ainda leva o nome de vida
Não queres partir para deixar os teus
E os teus não querem aceitar que tens que ir
E me pergunto
- Cadê a pressa dos nossos dias?
- Cadê a agenda cheia de compromissos?
E só observo como tua respiração fraca aos poucos dá sinais que chegas ao fim.
E assim passam as noites e passam-se os dias
Tens medo da partida inevitável
Lutas sem saber, que é ela, a vida que te deixa ficar mais um pouco,
O tempo necessário para eu te dizer adeus,
Em silêncio.
Descansa em paz
(Rô)
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